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Mercado global registra recorde de IPOs em 2021, aponta relatório

O mercado global de oferta pública inicial de ações (IPOs) teve resultados positivos com quebra de recordes de volume e de receitas no quarto trimestre do ano passado. De acordo com o relatório “2021 EY Global IPO Trends”, no total foram 2.388 negócios registrados, com US$ 453,3 bilhões em receitas, um aumento de 64% (volume) e 67% (receita) em relação a 2020.

No Brasil, a bolsa brasileira, a B3, registou um ano recorde, com 45 IPOs e movimentação de US$ 11,9 bilhões – aumento de 61% e 40%, respectivamente. 

IPO é a sigla em inglês para uma oferta inicial de ações. É o que uma empresa faz quando abre seu capital na Bolsa de Valores. O cenário era otimista para o ano passado no Brasil e esperava-se que houvesse um crescimento ainda mais expressivo até o fim do ano. No entanto, no segundo semestre, muitas empresas acabaram adiando ou suspendendo seus planos de abrir capital com a descoberta de novas variantes da Covid-19, aumento da inflação e volatilidade do cenário político. 

De acordo com Rafael Santos, sócio da EY e especialista em IPO, diversas empresas no mercado podem retomar os planos ao longo deste ano, caso o cenário de mercado seja favorável. 

“As injeções de recursos feitas pelos governos ao redor do mundo para mitigar os efeitos negativos da pandemia nas economias gerou grande liquidez no mercado, um cenário muito positivo para IPO. Especificamente no Brasil, o cenário de grande liquidez de recursos, taxas de juros baixas e novos entrantes na bolsa de valores criou um ambiente muito favorável para IPO. Em 2020 foram 28 transações, levantando aproximadamente R$ 117 bilhões em recursos. Já em 2021, esse número aumentou para 45 empresas.”  

IPOs nas Américas 

De acordo com o relatório, o ano foi de alta nas Américas, amparado por baixas taxas de juros, alta liquidez, mercados de ações dinâmicos, melhor sentimento do consumidor e otimismo geral impulsionado pelo lançamento da vacina contra a Covid-19 em alguns países. A região registrou 528 IPOs arrecadados, movimentando US$ 174,6 bilhões, o que equivale a um aumento de 87% e 78%, respectivamente. O setor de saúde permaneceu como o mais importante da região em volume, com 172 IPOs registrados e levantamento de US$ 32,2 bilhões, mas foi o de tecnologia que teve o melhor desempenho, com 152 IPOs e US$ 72,2 bilhões levantados. 

No Brasil, a bolsa brasileira, a B3, registrou um ano recorde, com 45 IPOs e movimentação de US$ 11,9 bilhões – aumento de 61% e 40%, respectivamente -, sendo este o nível de atividade mais alto do país desde 2007.

Apesar do resultado favorável em 2021, o país teve redução no número de transações no segundo semestre, devido à volatilidade no mercado brasileiro, decorrentes do desempenho do pós-venda de empresas listadas e a incerteza sobre a economia local. Este é um cenário que poderá se repetir em 2022 com a proximidade das eleições no país. 

Nos Estados Unidos, esse mercado permaneceu em alta, com 2021 sendo o mais ativo nos 21 anos de existência do relatório da EY, com 416 IPOs registrados e movimentação de US$ 155,7 bilhões em receitas, representando um aumento de 86% e 81%, respectivamente, em relação ao ano anterior. 

“O ano de 2021 foi um período recorde para o mercado de IPOs nas Américas, decorrente de diversos fatores, como um cenário de altas avaliações, um ambiente de baixas taxas de juros e um forte apetite dos investidores pelas ações. Conforme avançamos para 2022, há um otimismo de que esse mercado irá permanecer saudável para a entrada de novos emissores”, explica Flávio Machado, sócio-líder de serviços de consultoria financeira e contábil da EY Brasil. 

Cenário global de IPOs

Embora o ano tenha sido positivo em todos os mercados, as bolsas da Europa, do Oriente Médio, da Índia e da África produziram o maior crescimento, com um aumento de 158% no número de IPOs (724) e de 214% em receitas (US$ 109,4 bilhões). Na região da Ásia-Pacífico, o crescimento em números percentuais foi mais modesto, com 1.136 IPOs (aumento de 28%) e arrecadação de US$ 169,3 bilhões (aumento de 22%). 

Na avaliação por setores em nível global, o de tecnologia obteve o maior número de IPOs (611) pelo sexto trimestre consecutivo e gerou a maior receita (US$ 147,5 bilhões) pelo sétimo trimestre consecutivo. O de saúde foi o segundo em números, com 376 IPOs e US$ 65,4 bilhões em receita, seguida pelo setor industrial, com 310 IPOs e receita de US$ 63,1 bilhões. 

Previsão para 2022 

Empresas que estejam planejando o IPO para este ano devem esperar maior volatilidade do mercado e, portanto, permanecer flexíveis com um plano alternativo em vigor para atender às necessidades de financiamento, caso a abertura de capital tenha de ser adiada por algum motivo. “As empresas terão de se planejar muito bem, adotando uma estratégia resiliente e flexível e que seja capaz de se adaptar às mudanças nas condições de mercado”, lembra Flávio Machado. 

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