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Veja as 10 melhores e piores ações do Ibovespa em 2021

Em 2021, a Embraer (EMBR3) disparou mais de 180% e liderou os ganhos do Ibovespa – que, por sua vez, caiu 11,93% no ano e marcou a primeira perda anual desde 2015. Na outra ponta, Magazine Luiza (MGLU3) derreteu 71%, em ano difícil para o setor de varejo na bolsa.

Veja abaixo as ações que mais subiram e as que mais caíram no ano:

Melhor ação de 2021: Embraer

O ano foi de virada para a Embraer (EMBR3), que em 2020 integrava a lista dos piores desempenhos do Ibovespa, mas ao final de 2021 despontou e se tornou a melhor ação do ano, com valorização de 180,45%.

Phil Soares, analista-chefe de ações da Órama Investimentos, explica que o preço das ações EMBR3 estava muito amassado após o fracasso da compra de parte da companhia pela gigante americana Boeing. Contudo, ele diz que essa história já foi superada. Segundo Soares, a Embraer conseguiu emplacar a narrativa do carro voador entre os investidores, por meio da sua unidade Eve Urban Air Mobility.

Na última semana, a companhia chegou a disparar 15% em um único dia com a notícia de que a sua subsidiária acertou uma fusão com a norte-americana Zanite para realizar a sua listagem na bolsa de valores de Nova York (NYSE).

“Isso puxou as perspectivas para o valor da empresa”, avalia o analista-chefe de ações da Óram. Para ele, a perspectiva para Embraer é positiva.

O analista explica que as aeronaves são vendidas em dólar. Em um contexto de dólar elevado, a Embraer deve continuar se beneficiando. “Conforme a covid atenuar, as encomendas devem melhorar”, diz.

Olhando para as suas unidades, Soares explica que as vendas da Embraer são puxadas por jatos particulares e comerciais leves. No caso dos jatos, estes seguem a tendência do enriquecimento mundial com liquidez alta. Já as vendas de comerciais leves podem apresentar volatilidade, porque depende do investimento das linhas aéreas.

Entre os pontos de atenção, ele destaca que um eventual aperto monetário dos Bancos Centrais poderia reduzir a liquidez e os pedidos da Embraer.

Braskem se destaca

A Braskem foi a segunda ação do Ibovespa com o melhor retorno em 2021. Os papéis BRKM5 subiram 176,29%.

Soares explica que as ações foram favorecidas pelo boom nos preços dos petroquímicos. Somado a isso, o plano de venda da companhia – controlada pela Novonor (ex-Odebrecht) e pela Petrobras – está tomando forma.

“Tentaram vender a Braskem para um terceiro, mas não deu certo. Agora as companhias vão vender a participação deles a mercado depois da migração da Braskem para o segmento de Novo Mercado, transformando todas as ações em ordinárias”, explica analista-chefe de ações da Órama Investimentos.

Segundo ele, a mudança melhora a governança e, caso a venda se concretize, a perspectiva é de valorização para Braskem.

Frigoríficos disparam

Na terceira e quarta posição estão os frigoríficos JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3), que valorizaram 75,74% e 73,04%, respectivamente.

Soares explica que as companhias se beneficiaram pela situação do setor nos Estados Unidos, com o mercado de carnes apresentando problemas de oferta para bovinos. “Isso garante margens elevadas na casa dos 25% para as unidades americanas de JBS e Marfrig”, explica.

As companhias também foram favorecidas pela receita dolarizada. No entanto, Soares acredita que o mercado americano deve normalizar em algum momento.

Petrorio também sobe forte

Ainda entre os melhores desempenhos, a PetroRio (PRIO3) voltou a integrar a lista das melhores posições pelo segundo ano consecutivo, com valorização de 47,24%.

Segundo Soares, as petrolíferas dispararam puxadas pela alta do petróleo. No caso da PetroRio especificamente, contribuiu a compra do campo de Wahoo, que permitiu a companhia dobrar a sua capacidade produtiva. “A perspectiva para a companhia é de manutenção de preço”, aponta.

Na última semana, a companhia protocolou declaração de comercialidade e plano de desenvolvimento do Campo de Wahoo. O mercado enxergou com bons olhos.

Confira as 10 maiores altas do Ibovespa em 2021:

Ação AltaEmbraer (EMBR3)180,45%Braskem (BRKM5) 176,29%JBS (JBSS3)75,75%Marfrig (MRFG3)73,04%PetroRio (PRIO3)47,24%Petrobras (PETR3)30,37%Méliuz (CASH3)29,66%Gerdau (GGBR4)25,32%Gerdau Metalúrgica (GOAU4)23,69%Petrobras (PETR4) 23,51%

Fonte: Economatica Brasil

Maiores quedas

Enquanto a Embraer deu sorte em 2021, a Magazine Luiza não teve o mesmo destino. Proclamada uma das queridinhas dos investidores em 2020, a varejista se tornou o pior desempenho do Ibovespa em 2021. As ações MGLU3 despencaram 71,04%.

Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus, o setor de consumo discricionário (sensível aos ciclos econômicos) foi o mais afetado da bolsa e também o segundo maior responsável pelo desempenho negativo do Ibovespa, atrás apenas do setor financeiro.

Por causa disso, o analista explica que Magazine Luiza (MGLU3), Via Varejo (VIIA3), Lojas Americanas (AMER3) e até mesmo Natura (NTCO3) foram parar entre as maiores quedas do Ibovespa em 2021.

Spiess cita três motivos principais para entender o tombo das ações:

  • Desclassificação no mercado nacional: o segmento de varejo sofreu uma reavaliação no Brasil frente a oportunidades de investimento internacionais. Companhias associadas ao crescimento econômico sofrem com a piora de indicadores de renda. A alta dos juros também foi desfavorável para as varejistas.
  • Reavaliação do setor internacionalmente: em 2020, as varejistas acompanharam a euforia do e-commerce e digitalização. Em 2021, todo o setor sofreu uma avaliação negativa dos investidores, mas as varejistas de mercados emergentes como o Brasil sentiram um impacto maior.
  • Deterioração da economia: inflação maior do que o previsto machuca a renda e o poder de compra do consumidor e prejudica as vendas das varejistas. Magazine Luiza é uma das mais sensíveis porque também conta com lojas físicas. Sem crescimento econômico e com juros elevados, o setor pode continuar sofrendo, segundo Spiess.

O analista também destaca alguns problemas particulares das companhias. No caso de Via (VIIA3), que acumulou queda de 67,51% em 2021, ele aponta problemas de solvência enxergados pelos investidores. “Há um temor de que a companhia não tenha condições de pagar seus credores e precise de um aumento de capital, o que seria ruim”, cita  Spiess.

Já em relação a Lojas Americanas (AMER3), ele destaca que houve conflitos na comunicação da sua reorganização societária com o mercado. “Muitos investidores não entenderam o que aconteceu”, explica.

Spiess lembra que em 2020 a companhia já foi uma das queridinhas da bolsa pelo seu potencial de crescimento, mas a abertura acelerada de lojas criou uma percepção negativa entre os investidores. Em 2021, as ações AMER3 recuaram 58,23%.

Confira as 10 maiores quedas do Ibovespa em 2021:

AçãoQuedaMagazine Luiza (MGLU3)-71,04%Via Varejo (VIIA3)-67,51%Pão de Açúcar (PCAR3)-62,77%Americanas (AMER3)-58,23%Eztec (EZTC3)-51,71%Natura (NTCO3)-51,56%IRB Brasil (IRBR3)-50,86%Qualicorp (QUAL3)-47,71%Cogna (COGN3)-46,87%Lojas Americanas (LAME4)-45,35%

Fonte: Economatica Brasil